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Bureau + aLagarta: Ix Style, a alguns passos da mudança por aLagarta . | Rio de Janeiro, 07.08.17

17795840_1499340420075995_509288122267007535_nTalvez por coincidência, ou é o destino tentando me mostrar algo, todas as empresas que trabalhei e projetos que participei tinham como objetivo final ajudar diretamente uma iniciativa, um grupo de pessoas, animais, ou uma comunidade. Até que me encontrei realmente motivada por contribuir e divulgar marcas que por trás tenham  idealizadores que decidiram fazer da sua vida uma missão diária.

Já começo dizendo que morar em Nova York é uma mão na roda para exercitar seu lado de bom samaritano. Eu particularmente fico feliz da vida se compro meu Maple Syrup na feira local, e não no supermercado. Ao mesmo tempo, resistir à todas aquelas mini comprinhas porque “está tão baratinho”, é prova de fogo.

Por esses dias, apareceu no meu feed do Instagram uma foto colorida com uns sapatos lindíssimos. De cara já deu pra ver o toque handmade – primeiro sinal de que você está indo no caminho certo. Entrei no site, dei play no vídeo de apresentação e a primeira frase foi:

“When people say one person can’t create change, I look them in the eyes and say: watch me.”

(Quando as pessoas dizem que uma pessoa não pode criar a mudança, eu as olho nos olhos e digo “me assista”)

aL-ix-style-02Wow! Pausa. Volta um pouco. Foi isso mesmo o que ela disse? Já estava quicando no sofá, achando a marca incrível. A Ix Style foi criada por Francesca Kennedy, descendente de guatemaltecos. Foi em uma viagem ao país para visitar seu avô, que viu pela primeira vez a atual situação do Rio Atitlan, onde passou tantos verões quando criança. Completamente contaminado, famílias bebem, banham-se e cozinham com essa água tóxica, resultado de anos de poluição. Com uma fórmula certeira, juntando a cultura local, emponderando mulheres da comunidade e diversificando moda, Francesca fez das sandálias o meio de prover água potável para milhares, poupando assim crianças e mulheres de andarem 16 km por dia para encher galões com água suja.home-slider-slide-110407256_1003933002950075_1323517955724302719_nComo todos os produtos Fair Trade, artesões dedicam horas em cada peça, para que no final você possa aproveitar de algo que faz sentido! A marca está baseada aqui em NY e você pode conhecer a loja marcando uma hora para visita. Os produtos tradicionais da Guatemala são enviados para outros países, inclusive Brasil.aL-ix-style-03Os sapatos são lindos, mas veganos como eu devem ter notado que não são livres de couro animal. A causa de levar água potável para quem precisa é bonita e não menos importante que a nossa. Acredito que cada um deve ter o compromisso social/sustentável com aquilo que se identifica. A boa notícia é que já mandei uma mensagem perguntando sobre modelos veganos e eles responderam que sim, terão em breve! Não é incrível ver o mundo tomando consciência em todas as áreas? <3

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{Este post é produzido e compartilhado com *aLagarta e Amanda Zollinger, colaboradora da emag, direto de NYC}

*A aLagarta é a primeira emag feminina independente e colaborativa do Brasil. Uma eterna mutante, tem vida própria e vira borboleta toda vez que lança uma nova edição.

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Bureau + aLagarta: Ornamente-se | Acessórios slow design para se apaixonar por aLagarta . | Rio de Janeiro, 05.07.17

Nossa busca incansável por marcas conscientes, com alma e produtos singulares sempre nos surpreende. Como tem gente criativa no Brasil! Hoje, separamos 3 designers de acessórios que nos encantaram com seu ofício. Vem conhecer:

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Adriana Valente
studioadrianavalente.com

O trabalho da designer Adriana Valente foi uma feliz recem-descoberta e curtimos tanto que as peças estarão presentes em nossa próxima edição. Além de brasileiríssimas e muito autorais, são feitas artesanalmente, respeitando o tempo do processo criativo e de produção, e em tiragens menores – o que torna tudo ainda mais exclusivo e especial. Depois de passar por diversos materiais, Adriana se apaixonou pela madeira. “Para mim, não há nada mais poderoso que trabalhar com a natureza e proporcionar às pessoas que possam levar um pedaço dela consigo” – explica.

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A designer também ressalta a importância de seu escultor Urubatan Oliveira, que tem mais de 40 anos de experiência e é o responsável pela produção de cada peça. A assinatura de Valente é única e, ao contrário do que parecem, são peças leves de se usar. Daqueles produtos que vão durar pra sempre no armário, funcionando como um aliado perfeito na hora de pensar em uma produção com um fator “uau”.

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Ana Zulma
anazulma.com.br

As joias da Ana parecem ter alma própria. Não há como não sentir sua energia e todo o carinho e empenho que a designer coloca em seu fazer. Exigente e detalhista, Ana trabalha com prata e ouro com alto padrão de qualidade e, claro, faz tudo à mão, sempre respeitando o gosto e os desejos de suas clientes apaixonadas por peças delicadas, mas cheias de personalidade.

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Não é difícil reconhecer o trabalho da Ana por aí. O design é muito próprio e cada coleção sempre conta uma história. São muitas: LYRICA, AURA, Energia, Mania Mania… Todas se unem através de uma característica em comum: o encanto. E Zulma também se empenha a criar joias sob medida e exclusivas pra quem quiser encomendar.

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CLIN
desvioclin.com.br

Fernanda Ventura (criativa também presente na nossa equipe!) é o nome por trás da delicada CLIN – marca independente que valoriza a produção local e manual. A designer faz questão de priorizar matéria prima  brasileira e seleciona cuidadosamente suas pedras. Quem não ama carregar pertinho de si um cristal? As peças com design minimalista são criadas artesanalmente pelas mãos da própria Fê, que está sempre em constante evolução. Vale acompanhar a marca, que traz sempre alguma novidade.

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Uma curiosidade: a escolha do nome se deu a partir da palavra Clinamên, que na filosofia significa “desvio” e “invenção”. No manifesto da marca, Fê explica que busca “na simplicidade das formas a beleza do vir a ser. Nos desviamos dos padrões estabelecidos e acreditamos que através de pequenas ações experimentamos o encontro com uma vida mais leve, consciente e livre”.

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E vocês, conhecem mais artistas incríveis? Compartilhem coma gente. <3

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{Este post é produzido e compartilhado com *aLagarta}

*A aLagarta é a primeira emag feminina independente e colaborativa do Brasil. Uma eterna mutante, tem vida própria e vira borboleta toda vez que lança uma nova edição.

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Bureau + aLagarta: a explosão em cores de Júlia Brümmer por aLagarta . | Rio de Janeiro, 07.06.17

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O contato com Júlia Brümmer se iniciou, como muitos outros, por e-mail. Ela enviou seu trabalho pra gente e o que poderia ser apenas uma troca simples de mensagens virou algo muito mais rico: uma troca de ideias. Eu, completamente digital; Júlia, completamente analógica. Duas fotógrafas e um diálogo fervoroso e cheio de paixão pela arte.

Como muitas meninas de 20 e poucos anos, Júlia é plural: além de fotógrafa, é designer de moda. Uma artista em essência. Pessoalmente, fiquei encantada com a composição e a coloração de suas fotografias, e quis saber mais sobre a garota de Joinville que imprime seus sonhos e ideias em filme. Confira a seguir a entrevista.

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O que despertou seu amor pela fotografia?

Cheguei na fotografia num momento em que sentia a necessidade de mudar, pelo menos em alguma coisa, a forma como a comunicação de imagem em moda era e ainda é feita. Na época, isso também foi uma forma de me distrair um pouco de problemas psiquiátricos complicados pelos quais passei – deu vazão pro que tinha na minha cabeça. Comecei com o digital e achava legal fazer aquilo, mas só me realizei e de fato encontrei o meu amor por foto quando mergulhei de cabeça no analógico. É isso o que eu sei fazer.

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13909318_554364778097036_8177398264425880734_oQuais os desafios e as delícias de se trabalhar, nos dias de hoje, com a fotografia analógica?

Bom, os desafios giram em torno, principalmente, de recursos e da forma como a economia e os impostos funcionam no Brasil. Após o boom da fotografia digital, o analógico começou a encolher e a ficar, digamos, mais próximo das localidades das fábricas e dos grandes centros mundiais onde se sabia que ainda tinha gente que ia usar aquele tipo de mídia. Isso, até o momento, ainda atrapalha um pouco quem mora no Brasil e fotografa com filme. Nós não temos à nossa disposição uma loja em cada cidade com todos os tipos de filmes e químicos pra se fazer os processos de revelação. Isso ainda é algo caro e difícil de se encontrar por aqui, então precisamos comprar alguns materiais fora do país – e isso implica em impostos e taxas meio altas. Porém, com as notícias de que as grandes marcas estão anunciando a volta de filmes lendários em circulação, com a demanda que aumentou por causa de movimentos como a lomografia, com profissionais voltando a utilizar película e com uma nova geração que anseia por testar coisas novas, há todos os indícios de que isso vai começar a mudar.

O que passa por cima disso tudo é, literalmente, a delícia mesmo que é trabalhar com esse setor da fotografia. Vai desde admirar o design de cada embalagem de filme até revelar rolo por rolo de uma forma diferente, com complexos químicos únicos e ver as fotos finais com uma lupa. Mas o que eu gosto mesmo no analógico é poder dispor da tecnologia, algo que eu adoro, pra poder transferir as fotos que estão na matéria pro plano computadorizado, e assim poder compartilhar com o mundo todo.

É importante lembrar que trabalhar com filme não é só sobre obter um resultado final diferenciado, é principalmente sobre poder sentir o processo de fazer algo alternativo ao convencional.

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Você tem como foco o retrato do feminino, mas representado dentro de realidades paralelas, em situações lúdicas – muitas parecem saídas de um sonho. Como é seu processo criativo na hora de idealizar e realizar um shooting?

Meu processo criativo é um enorme caos porque eu penso demais. Enquanto estou olhando referências ou escrevendo algo pra determinado projeto e de repente olho pela janela e vejo algo ou falo com alguém, ou como alguma coisa diferente e isso já me dá inspiração, aí tudo começa a se transformar num enorme vórtex que me engole toda vez. É como minha destruição e minha salvação ao mesmo tempo.Minha afinidade com o planisfério dos sonhos é algo que carrego desde a infância e reflito em todo e qualquer tipo de expressão ou registro que eu faça. Pra mim é interessante o quanto isso é literal no ponto em que de fato externa os nossos sonhos e pesadelos pras nossas criações. Todo esse apanhado de referências, dentro do meu contexto de pesquisa e trabalho, é chamado de fantasismo, em menção à arte fantástica, que é um subgênero da arte que basicamente abraça toda forma de representação criativa que burle os limites da realidade. Mas depois de conseguir sobreviver a toda essa avalanche de informações a todo segundo eu geralmente escrevo palavras-chave do que representa o editorial e desenho as situações que eu estou arquitetando. Pra mim, fazer as coisas manualmente num contexto geral ajuda a ter outra perspectiva do trabalho final e grava as informações de forma mais eficaz. Aí, vou até a minha geladeira e consulto os filmes que melhor se encaixam no que quero propor naquele momento, vejo quais filtros de lente vou usar e então faço a parte técnica, de contato com as/os modelos e assim por diante. Gosto de bater papo enquanto fotografo porque acho que tudo flui melhor e há um outro tipo de interação que tanto me aproxima de quem eu fotografo, quanto estabelece um profissionalismo que mantém a calma e prioriza a pessoa e não só o resultado final. Eu e meus modelos sempre damos bastante risadas.

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Você trabalha muito brincando com filtros e sobreposições. Conta um pouco sobre o processo dentro do laboratório pra chegar ao resultado final. Quando você sabe que uma imagem está pronta?

Eu sei que minha foto está pronta quando ela é executada como eu quero, e isso não significa necessariamente sempre seguir o planejamento no que diz respeito ao registro. Às vezes eu quero fazer algo de determinada forma e sei lá, aparece um passarinho do nada e pousa bem no meio da minha composição. Aí eu clico o passarinho, pois mesmo que eu não use essa foto no trabalho eu guardo pra mim, já que eu fiz como eu queria. Porém, dentro do darkroom eu mantenho mais racionalidade, deixo um esquema pronto de como a revelação deve ser feita de acordo com o filme escolhido e a fotometria específica feita no editorial/técnica de resultado almejada. Mesmo que eu queira fazer um processo experimental, preciso direcionar as alterações de acordo com o que foi feito em fotometria na câmera. Não posso simplesmente testar qualquer coisa diferente quimicamente em cima de um material orgânico como a película, ou corro o risco de perder o material. A química sempre precisa ter um equilíbrio com a criatividade.

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Como você descreveria seu trabalho?

Uma explosão termonuclear colorida, esquizofrênica e iconoclasta pela qual eu me entrego de corpo e alma, indiscutivelmente.

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Confira mais fotos da Júlia em seu flickr, em sua página no facebook ou no Behance.

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{Este post é produzido e compartilhado com *aLagarta}

*A aLagarta é a primeira emag feminina independente e colaborativa do Brasil. Uma eterna mutante, tem vida própria e vira borboleta toda vez que lança uma nova edição.

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