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Bureau + Fernanda Cortez: armários compartilhados | Menos impacto, menos custo e uma gama infinita de possibilidades por Fernanda Cortez - Menos Um Lixo | Rio de Janeiro, 11.05.17

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Passei os últimos 4 meses imersa em Menos é Demais. Pra gravar esse programa, lindo que com muita honra eu apresento, foram 4 meses, 5 dias por semana, 12 horas por dia. Conheci 13 famílias e suas questões de consumo. Consumo por excesso de grana, consumo por falta de informação, consumo por questões emocionais, consumo, porque não consumir, né?

E no final das contas a gente consome da hora que acorda (lavar o rosto e escovar os dentes envolve consumo de água, de pasta de dente, de escova de dente, de sabão), até a hora que a gente vai dormir (cama, lençol, cobertor, ar condicionado, energia, pijama, e por aí vai). Roupa então… pensa nas ocasiões de uso, nas festas, na praia, na academia, tá frio, tá quente, tá sol, choveu, e, tá na moda?

Então vamos falar de moda? Ou vamos falar de roupa?

A indústria da moda, que faz as nossas roupas, em um dado momento pós segunda guerra mundial, quando os Estados Unidos cunharam esse american way of life baseado no consumo que o mundo todo copiou (pra quem ainda não viu, esse vídeo da Box 1824, Lowsumerism, é imperdível) começa a criar coleções. Coleções que no começo evoluíam devagar, tínhamos tendências muito baseadas em décadas – quem lembra anos 80 e os cabelos enrolados, ombreiras? O fast fashion, que vem depois, no fim dos anos 90, acelera esse conceito de coleção e de estar na moda, e cria nos consumidores, nós, o desejo de sempre ter o novo, consumir com avidez pra estar na moda. Sim, porque estar na moda é fundamental né? Ou como serei aceito se não tiver o look do dia certo? E a gente compra roupa para… impressionar os outros e ser aceito.

Só que o que eles não contam é que:  “Segundo a Forbes, o setor de vestuário é responsável por 10% das emissões de carbono e permanece como segundo maior poluidor, seguido pelo petróleo. Aproximadamente 70 milhões de barris de petróleo são usados a cada ano para produzir poliéster, que hoje é a fibra mais utilizada em roupas e cuja decomposição leva em torno de 200 anos. Peças de fast fashion, que são usadas menos de 5 vezes e mantidas por aproximadamente 35 dias, produzem cerca de 400% a mais da emissão de carbono por unidade anualmente do que peças utilizadas 50 vezes e usadas por um ano inteiro.”, Wikipedia.

Então aquele programa preferido de muita gente que é ir ao shopping comprar, se torna contribuir para a poluição do planeta em níveis que a gente nem imagina.

Mas será que a gente quer comprar ou a gente quer ter acesso a roupas?

Imagina se a gente pudesse ter um guarda roupa com muitas opções, gastando muito pouco e sem esse peso na consciência de olhar uma peça que foi usada menos de 5 vezes (ou nunca foi usada) no nosso armário e pensar que ela vai ficar pelo menos 200 anos em um lixão, e que quase com certeza teve trabalho escravo envolvido na sua produção. A gente pode!

Nova economia, novos modelos, e o armário compartilhado é um deles.

Funciona assim: basicamente você paga uma mensalidade e tem acesso a várias roupas. De acordo com a sua mensalidade, você tem direito de pegar X peças/mês, usar e depois é só devolver. Alguns deles, como o Lucid Bag, que tem aqui na MALHA, no Rio, são construídos com as próprias roupas das clientes, que deixam parte do seu guarda roupa lá pra que as peças que elas têm em casa também possam ser usadas por outras pessoas.

O Roupateca, que a Chiara levou a Helô no último episódio de Menos é Demais, também funciona assim, mas lá em São Paulo.

As mensalidades são a partir de R$100,00, e a decisão de compartilhar a roupa acaba sendo também um ato político, uma forma de expressar como você vê a vida e age no mundo.

No site da Lucid Bag, eles definem bem isso: “O modelo foi pensado também para pessoas que fazem do que vestem um ato político: apoiam causas, marcas e iniciativas que se preocupam com a sociedade, comunidade local, sustentabilidade e meio ambiente.”

E você, já pensou em compartilhar mais e ter menos? Conta pra gente!

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{Este post é produzido e compartilhado com *Fernanda Cortez | Menos Um Lixo.}

*Fernanda Cortez é comunicadora, sócia da 220 Ideias Transformadoras e cabeça por trás do Menos 1 Lixo, movimento e plataforma de consumo consciente que chama atenção das pessoas sobre o volume de lixo que produzem no dia a dia, focando na mudança de pequenos hábitos diários, como a substituição dos descartáveis pelos reutilizáveis.

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Bureau + Fernanda Cortez: Alimentação Consciente | 5 Dicas que provam que vai muito além do orgânico por Fernanda Cortez - Menos Um Lixo | Rio de Janeiro, 10.03.17

Quando você fala sobre sustentabilidade lá vem a ideia do caro e chato. Quando fala do veganismo ou vegetarianismo pode saber que vai ter que multiplicar a chatice e os valores monetários (segundo as más línguas!). Fala de alimentação saudável e responsável, e o orgânico vem na ponta da língua de uma maioria, né? Pois bem, a ideia aqui é trazer a reflexão que uma alimentação boa pra você, para as pessoas e pro planeta vai muito além!

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Aproveitamento integral dos alimentos

Num país que diariamente joga no lixo 39 mil toneladas de comida (já falamos disso aqui), o que daria para alimentar 19 milhões de brasileiros por dia, é preciso falar sobre o desperdício. Aproveitar todas as partes de um alimento é também desperdiçar menos, pra além do que vai pra lixeira depois de sobrar no prato. É incluir a casca, os talos, as sementes e tudo que for possível na mesa. Trabalho já pontuado e feito pela nossa querida Regina Tchelly no Favela Orgânica (conheça mais). <3

post-favela-600x324 Regina Tchelly coloca em prática formas de aproveitar ao máximo cada alimento

Busque saber e crie esse hábito. O resultado é surpreendente e encantador! ;)

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Pequeno Produtor

A gente sempre fala por aqui sobre a importância de nos entendermos como parte de um todo muito maior e de um sistema interdependente – planeta, animais, plantas, seres humanos. Optar pela compra e fortalecimento do pequeno produtor é considerar toda essa interdependência e fortificar o socioambiental, não apenas um ou outro. Quando você compra do Seu Zé que planta e entrega na sua casa, pode estar colaborando com o desenvolvimento de todo um núcleo familiar, além de construir relações e entender a origem do alimento e não ser apenas mais um número ou mero lucro no mercado alimentício. Há, inclusive, feiras que reúnem produtores locais, como a Junta Local, no Rio de Janeiro. Certamente, você encontrará uma bem próxima.

Junta-Local-600x357Feira no Rio reúne pequenos produtores locais e promove troca entre os participantes

Bom pra todo mundo! 😉

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Produção Local

Seguindo a linha do repensar a produção, comprar por perto anda junto com o fortalecimento do pequeno produtor. Que tal valorizar o que emite menos gases para distribuição e colaborar com o que por muitas vezes faz girar a economia local e, consequentemente, a vida na comunidade? Tem sensação melhor? \o/ Além de ser muito mais fácil dialogar, mudar demanda, ajustar os serviços e por aí vai. Faça um mapeamento pra entender o que você consegue garantir dentro dessa linha hoje, no seu bairro, feito por mãos vizinhas. A regra é clara: mais local, menos global.

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Respeitando o tempo de cada alimento

Quando é a época do morango? E do tomate? E do abacate? Dá pra comer maçã o ano inteiro? Dá! Mas qual o impacto disso? Como ela chega pra você? Como o seu corpo reage ao tratamento dado a esse alimento? Estamos respeitando a hora de plantar e de colher?
Não por acaso, sempre compartilhamos campanhas que falam sobre a preferência pelos alimentos da estação. O modo instantâneo como boa parte das pessoas lida com a alimentação segue a lógica do “quero agora”, do impulso impensado que propicia um consumo irresponsável, mas precisamos repensar, entender os malefícios disso para nós e para os planetas, e inverter essa lógica o mais breve possível. Não esqueça, quem faz a demanda é você!

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Descarte responsável

Poderíamos fechar esse trecho com uma só palavra: compostagem. Não é de hoje que a compostagem doméstica é pauta aqui no Menos 1 Lixo. A Fe Cortez, nossa idealizadora, já fez até um vídeo respondendo as perguntas que sempre chegam para nós, trazendo um pouco mais sobre os impactos ambientais do descarte desenfreado e incorreto do resíduo orgânico e mostrando as mudanças que ocorrem na relação com o alimento a partir desse novo hábito. Confira o vídeo e, caso não possa ter uma composteira doméstica, conheça o trabalho da galera do Ciclo Orgânico. ;)

Agora é só repensar seus hábitos e tomar novas atitudes. Comece já!  \o/

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{Este post é produzido e compartilhado com *Fernanda Cortez | Menos Um Lixo.}

*Fernanda Cortez é comunicadora, sócia da 220 Ideias Transformadoras e cabeça por trás do Menos 1 Lixo, movimento e plataforma de consumo consciente que chama atenção das pessoas sobre o volume de lixo que produzem no dia a dia, focando na mudança de pequenos hábitos diários, como a substituição dos descartáveis pelos reutilizáveis.

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Bureau + Fernanda Cortez: Decoração com flores com raízes | Flores que não vão para o lixo por Fernanda Cortez - Menos Um Lixo | Rio de Janeiro, 09.02.17

Na festa de lançamento da segunda versão do copinho do Menos 1 Lixo, uma festa lixo zero, a Fe Cortez aboliu as flores logo na primeira reunião da produção. Mesmo sabendo que uma das minhas causas, o Flor Faz Bem,  é resgatar as flores das festas e dar um fim bonito pra elas. Depois de uma conversa, eu entendi o ponto de vista dela. Se você quer evitar que uma coisa vá para o lixo, dá muito menos trabalho não consumir do que ficar cuidando da logística certa. Concordei com a Fe: nada de flores na festa do copinho.

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Meta Lixo Zero com um sucesso de 99.8% de redução da geração de lixo.Isso significa que 117,5 kg de lixo que normalmente iriam para aterro sanitário foram evitados, compostados ou reciclados.

Corta para o dia em que vi um post no Facebook. Da Camila Niskier, a florista que me ensinou tudo o que sei sobre flores. No post, uma indagação do filho de 7 anos da Camila. Enquanto ela montava alguns arranjos, Alex pediu uma flor. Ele queria colocar a flor em uma garrafa com água para que a flor vivesse por 1 ano. Camila explicou que a flor não sobreviveria, e que ficaria linda por 5 dias, no máximo. Alex não gostou de saber disso. Não conseguia entender porque a mãe havia “matado” as plantas. Quando ela explicou que não era a responsável direta pela “morte” das flores, e que trabalhar com flores era uma forma dela fazer arte, não adiantou muito. Alex continuou desapontado com a mãe.

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Alex, do alto dos seus 7 anos, conseguiu ativar uma inquietação da Camila. Uma daquelas inquietações que a gente acaba guardando mais no fundinho, pra não ter que lidar com ela. Mas que continua sempre lá! Trabalhar com coisas lindas sempre foi a praia da Camila. Ela já foi estilista e, hoje, além de florista é decoradora. O que eu chamo de inquietação, ela chama de comichão. Ela é uma daquelas apaixonadas-pelo-que-faz, mas sempre achou que pudesse impactar pessoas para além da beleza das coisas que produz. Algo que carregasse uma mensagem junto.

Alex fez a mãe juntar a beleza com impacto. Coincidência ou não, Camila estava no meio do Curso Semente, da Casa Soul. Um belo dia, pensando sobre o significado da palavra semente, a mente a levou à palavra raiz. Aí, veio o estalo: por que não trabalhar com flores com raízes? Fazer uma decoração linda com plantas em vasos? Foi aí que a Re-flora nasceu.

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A Re-flora é uma opção para fazer uma festa com menos lixo, mais sustentável. Tirando de cena as flores cortadas (ou “assassinadas”, como diria o Alex), e utilizando flores com raízes. Flores de vasos. E depois que essas flores embelezaram uma festa, tem a logística reversa e mais um passo extra: Camila recolhe as flores da decoração e a cliente tem duas opções: replantar as flores na própria casa ou doar as flores para a Camila plantar em um canteiro da cidade! Ou seja, fazendo arte com as flores de vaso, Camila continua trabalhando com a estética, mas garante que as flores vão durar muito mais tempo, seja na casa da cliente, seja em um canteiro público da nossa cidade.

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Fiquei com um orgulho enorme do momento eureka! da minha amiga e professora de flores. Pela ideia brilhante. E por resolver ouvir com mais cuidado a sua própria inquietação, ou como diria Camila, aquele comichão!

Facebook: Camila Niskier Flores

Insta: @camilaniskier | Site

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{Este post é produzido e compartilhado com *Fernanda Cortez | Menos Um Lixo, em parceria com Heliene Oliveira.}

*Fernanda Cortez é comunicadora, sócia da 220 Ideias Transformadoras e cabeça por trás do Menos 1 Lixo, movimento e plataforma de consumo consciente que chama atenção das pessoas sobre o volume de lixo que produzem no dia a dia, focando na mudança de pequenos hábitos diários, como a substituição dos descartáveis pelos reutilizáveis.

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