Ir para conteúdo

3 coisas que você precisa saber essa semana por Marina Giustino | Rio de Janeiro, 26.09.17

1 – A volta da Fiorucci:

A icônica marca italiana está de volta, sob nova direção, com linguagem atual e pra lá de cool. A Fiorucci trouxe o clima da swingging London pras ruas de Milão no final dos anos 60. Fundada por Elio Fiorucci, a marca foi sinônimo de irreverência, sexappeal e ousadia, alcançando seu auge na década de 80. Sua volta ilustra perfeitamente a onda de resgate de marcas do passado que por algum motivo, ao longo de sua história, acabaram se tornando kitsch ou populares demais, caindo em total declínio e esquecimento. A história começou em 2016, quando a Vetements colocou na passarela da Alta Costura de Paris marcas como Juicy Couture e Champion. Um pouco antes, a gente viu a Fila e a Kappa se tornarem cool novamente com a história do athleisure e das logos em evidência. Sim, as logos de marcas old school (não necessariamente de Moda) estampando bonés e camisetas da galera mais jovem e urbana continua muito forte. Lembra da turma fazendo upcycling com as sacolas da Ikea? Quanto mais tosco, mais cult. ;) E, olha, não vai demorar muito pra gente ver uma galera desfilando por aí o icônico casal de anjinhos da Fiorucci. Nessa onda de resgate, a gente amaria muito ver por aqui a volta de marcas como a Company e a Gang. Seria o máximo!

0917_GeorgiaByTheSeaside_3row-1_col-2-min

fiorucci2

.

2 – Beta, a robô feminista:

Uma robô feminista que ajuda mulheres a lutarem pelos seus direitos. Sim, ela existe e é brasileira. Seu nome é Beta. :) Através do Facebook Messenger, a Beta mobiliza internautas sobre pautas relacionadas aos direitos da mulheres e responde diversas perguntas relacionadas ao feminismo. Basta acessar a página da Beta e mandar um alô no inbox. Prontamente você será respondid@ por ela. Seguindo parâmetros pré-programados, a robô vai te informar sobre assuntos que estão em pauta na luta feminista, eventos e projetos de lei pra que você possa participar ativamente de campanhas. A ideia maravilhosa partiu do Nossas, laboratório de ativismo digital formado por programadoras mulheres.

beta

.

3 – O melhor curriculum que você vai ver hoje:

Quem foi que disse que estética de curriculum precisa ser aquela coisa sem graça escrita em Times New Roman? Em se tratando de profissões criativas, legal mesmo é poder fazer diferente. Se houvesse um concurso de curriculums originais, o prêmio, certamente, iria pro designer galês Andy Morris. Aficionado por Lego, ele montou várias miniaturas de si mesmo e bolou embalagens geniais com o conteúdo de seu curriculum pra distribuir por agências de Design e Publicidade na esperança de conseguir um novo emprego. Se ele conseguiu a vaga ou não, a gente não sabe, mas que ele é muito criativo, isso ele é. ;)

lego-cv-andy-morris-14

lego-cv-andy-morris-15

Bureau + aLagarta: “Luz dobrada em afetos” | O olhar de Helena Cooper por aLagarta . | Rio de Janeiro, 15.09.17

post
Quem acompanha a fotógrafa Helena Cooper no Instagram, além de se deparar com imagens tocantes, mágicas e etéreas, pode ler no topo de seu perfil a descrição: “Luz dobrada em afetos”. De fato, o trabalho de Cooper traduz de forma muito sensível o que muitas vezes a gente apenas sente, sem conseguir definir ou expressar em palavras ou gestos. Suas fotos nos transportam para um momento de entrega, quando paramos para respirar fundo olhando para o céu, seja em contato com o silêncio no alto de uma montanha, ou cercados de árvores em uma trilha.
Convidamos a artista para ser colaboradora da edição PLENITUDE, que foi ao ar em agosto e, agora, damos voz à quem nos conquistou com o olhar, para descobrir o que inspira e move essa bióloga que se encantou primeiramente pela fotografia documental, pra depois criar asas e voar.
aL22-Plenitude-Cooper-06
Oi, Helena! Conta um pouco sobre você?
“Sou nascida no Rio, mas passei parte da infância em Mury, Friburgo, onde pude ter muito contato com a natureza desde cedo e onde parte do meu imaginário onírico foi criado. Brincava sozinha ou com meu irmão mais novo no enorme terreno que tínhamos, e nossa imaginação ali não tinha limites. Meus pais sempre gostaram muito de viajar pelo Brasil, praias e parques, e por isso também a intimidade com o “mato”. Formei em 2014 em Biologia na UFRJ e desde o início do curso trabalhei com a linha da etnobiologia, que busca identificar e valorizar as relações das comunidades tradicionais com os elementos e recursos naturais. Nessas pesquisas, conheci muitas comunidades quilombolas e indígenas, que fortaleceram ainda mais meus vínculos, rumos e valores de vida.”
aL-blog-helena-copper-01
Quando você se descobriu artista?
“Meu avô paterno sempre gostou muito de fotografia e talvez ele tenha sido uma das primeiras inspirações para eu começar a fotografar. Ganhei dele uma câmera analógica automática em 2004 e, por sempre ter sido uma pessoa nostálgica, comecei a registrar as lembranças bonitas que eu vivia.”
aL22-Plenitude-Cooper-16
E como a fotografia, especificamente, entrou na sua vida?
“Fiz uma viagem de campo de dois meses para uma aldeia Kuikuro no Alto Xingu em 2014 com o antropólogo e cineasta Carlos Fausto – que era meu orientador de projeto na época. Ambos estavam com suas câmeras fotográficas e essa experiência de registrar os trabalhos do dia a dia dos indígenas e ainda documentar tantas belezas me enchia de vida e inspiração. Logo que formei na Biologia, decidi dar um tempo nas pesquisas propriamente biológicas e abrir mais espaço para entender esse gosto tão grande por registrar as camadas de belezas e lembranças que passavam por meus olhos. Nesse momento, conheci o fotógrafo Ricardo Azoury que, em algumas trocas bastante afetivas e familiares com ele e sua companheira Juliana, tive a oportunidade de aprender a fotografar com um pouco mais de técnica. Decidi ir para Buenos Aires em 2015 estudar fotografia, mas meu caminho se desviou quando encontrei a Tucum Brasil, empresa que trabalha com diversas etnias indígenas, e comecei a trabalhar com eles fotografando seus produtos e expedições às aldeias indígenas. O amor pelas matrizes e comunidades tradicionais nunca me deixou ir embora do Brasil.”
aL-blog-helena-copper-02
Quais são suas principais fontes de inspiração? E referências?
“Minhas inspirações são confusas (risos). Sonho todas as noites e às vezes fotografo sonhos. Gosto muito de ler sobre psicologia e às vezes fotografo algo associado a alguma leitura. Sempre fui mística (à minha maneira) e acredito muito no que os olhos não vêem.”

“Parece contraditório valorizar tanto o invisível e trabalhar com fotografia. Mas minhas inspirações passam mesmo por ai: sentimentos, cheiros, memórias…”

“Gosto muito de ver o trabalho de outros fotógrafos, embora não acredite que esses trabalhos referenciem a construção da minha fotografia em si. Mas tenho algumas pessoas que me são referência enquanto seres viventes, isto é, mais do que apenas produzir belas e técnicas imagens, trabalham de forma linda, com base em muita ética, cuidado e responsabilidade social. Este é o caso do João Ripper, fotógrafo a que tenho muita admiração.”
aL22-Plenitude-Cooper-17
Como você descreveria seu trabalho?
“Acredito permear uma mistura de fotografia documental, com fotografia do bem-querer, com fotografia devocional. Uma vez ouvi que Deus habita o espaço entre os seres. Nunca mais esqueci isso e passei a acreditar que poderia ver e mostrar para os outros, através da fotografia, a beleza desse espaço.”
aL-blog-helena-copper-03
Tem alguma causa específica que te toca?
“É difícil uma causa não me tocar hoje em dia. Acredito em um mundo de confiança mútua, construção coletiva, respeito e valorização das diferenças – e devoção à natureza. Ultimamente, tem sido difícil (muitas vezes, desesperançoso) viver aqui no Brasil, onde tudo que acredito vem sendo desprezado e cedendo lugar para um sistema competitivo e altamente destrutivo. As questões ambientais e a luta das comunidades tradicionais, especialmente indígenas, vêem tomando muito minhas preocupações nos últimos dias. Entretanto, acredito que todas as questões estão super interligadas e o desrespeito às causas é mais um sintoma de um sistema competitivo, misógeno e desconectado com suas essências.”
aL22-Plenitude-Cooper-01
Quais os planos para o futuro como criativa?
“Para o futuro, tenho desejos de me reaproximar mais uma vez das comunidades tradicionais e familiares agrícolas, para também firmar e fortalecer suas lutas e tradições culturais e dar voz através dos registros visuais. E há cerca de um ano venho desenvolvendo um projeto colaborativo com pessoas que confiaram e entregaram histórias e vivências pessoais fortes, chamado “Ensaios Terapêuticos”. Esses ensaios são momentos de contato com a natureza, guiados por conversas e práticas de respiração que buscam florescer as belezas que trazemos dentro de nós.”

“Pretendo continuar e aprofundar essa pesquisa de autoaceitação e empoderamento que a imagem de si próprio pode gerar. Afinal, beleza cura.”

.

Confira “Nós, em laços”, editorial produzido por Helena exclusivamente para a ediçção #22 PLENITUDE, aqui.

.

{Este post é produzido e compartilhado com *aLagarta}

*A aLagarta é a primeira emag feminina independente e colaborativa do Brasil. Uma eterna mutante, tem vida própria e vira borboleta toda vez que lança uma nova edição.

para blog

logo menos tendencia para posts blog

 

BUREAU + FÊ CORTEZ: Lixo no Céu | 5.2 Milhões de toneladas de lixo por ano por Fernanda Cortez - Menos Um Lixo | Rio de Janeiro, 14.09.17

Untitled-1-2-1425x400

Na missão do #Menos1LixonaEstrada, a Fe Cortez fez o possível para evitar gerar lixo nos aeroportos e nos aviões. Levou o kit de viagem lixo zero, que inclui: marmita, garrafa térmica, copinho, talheres e canudinho reutilizáveis. Mais: caprichou nas receitas para as marmitas que a Alana Rox, do Diário de uma Vegana, publicou lá no stories do instagram do Menos 1 Lixo (em breve, vamos publicar o video completo e receitas no site – fiquem ligados!)

Mas o vôo entre São Paulo e Doha era muito, mas muito longo. Tão longo que acabou a comida da marmita e a Fe teve que fazer uma refeição de avião. Foi aí que puxou papo com uma das comissárias sobre o destino do lixo, e a resposta foi a seguinte: não existe separação de lixo, vai tudo para o mesmo lugar “porque não tem espaço para separar”.

Isso nos motivou a pesquisar sobre o assunto. E não é que a afirmação da comissária parece ser verdade para a maioria das companhias aéreas?

765_360_comida-ingles-no-aviao_1489407672

O artigo “A rídicula história da comida do avião e porque tanto lixo vai parar nos aterros”, publicado pelo The Guardian no dia 1 de abril de 2017 aponta um número alarmante de 2016: 5.2 milhões de toneladas de lixo  foram geradas nas aeronaves.

E para onde foram? Aterros ou em locais para incineração. Esses dados são da International Air Transport Association (IATA), e a previsão é que o número dobre nos próximos 15 anos. Estão incluídos nesta soma o papel higiênico dos banheiros, as garrafas em miniatura de vinho da primeira classe, as sobras das marmitas, as marmitas que não são abertas e as escovas de dentes que ninguém usou – entre outras pequenas embalagens e pequenos itens típicos de viagem de avião.

As refeições nos aviões são a maior fonte geradora de lixo. Algumas companhias aéreas empreenderam esforços para a separação e destino do lixo gerado em suas aeronaves, como a TAM e a Alaskan Airlines, por exemplo.

Em outras pontas de responsabilidade com o lixo: temos a Iberia, que trabalha em um programa de experimentação para reduzir as embalagens; e a United Airlines, que adotou copos compostáveis de papel no ano passado, e a prática de doar os kits com itens de higiene, não utilizados, para pessoas em situação de risco social. Outra iniciativa bacana é da Quantas, que utiliza um envelope que, normalmente, seria empregado para receber doações para a caridade, para embalar os fones de ouvidos que são entregues durante o vôo.

soneca-no-aviao-fone-de-ouvido

Agora, falando sobre os fones de ouvido, que acabam tendo a vida de útil de apenas 1 vôo, a única iniciativa de reciclagem que tivemos conhecimento foi a da Virgin: que recicla todas as partes dos fones de ouvido (inclusive a espuminha, que tem como destino o chão que pavimenta centros equestres).

O foco dos programas, além de maneiras de pensar em como reduzir as embalagens e destinar o lixo, também explora o emprego de talheres reutilizáveis e o uso de informações sobre os passageiros. Por exemplo: saber antecipadamente a preferência da refeição de um passageiro significa reduzir a quantidade de refeições desperdiçadas em um determinado vôo.

MASU17_GIF_05_Drink

Mesmo assim, por mais que as companhias aéreas ensaiem uma movimentação que está longe de ser o suficiente para reverter as projeções, ainda existe um longo caminho para percorrer.

Reverter esse quadro, como sempre, depende muito de nós e do poder do nosso bolso. Para não contribuir com esses números absurdos de geração de lixo dentro das aeronaves, que tal buscar conhecimento sobre a postura das empresas áreas que escolhemos? Que tal cobrar ações e resultados? E a regra dos Rs vale para quem viaja no céu também: antes de aceitar o fone de ouvido ou aquela bandeja de comida que você não está muito a fim, que tal repensar, reduzir, recusar?

.