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Nossos Influenciadores 2018 | Temporada de Calor | Gabriela Mazepa por Marina Giustino | Rio de Janeiro, 04.02.17

gabi_reroupaGabi Mazepa

Nas últimas semanas, você acompanhou os nossos posts com a Luisa Mendes, a Ignez do Prado e o Rafael Teixeira. Agora, é a vez da Gabi Mazepa, nossa última entrevistada da série de Influenciadores da Temporada de Calor 2018.

A Gabi é a estilista e cabeça por trás do projeto Re-Roupa e da marca que leva o seu nome. Ambos trabalham o conceito do upcycling, transformando roupas antigas em peças novas e únicas. Ela também é uma das fundadoras do movimento Roupa Livre e coordenadora da Escola da MALHA. Sua trajetória foge completamente da de um estilista com formação tradicional. Estudou três anos de Arquitetura e Urbanismo e, ao fazer um intercâmbio na França, durante o curso, pediu transferência para o curso têxtil da École des Arts Déco. Também chegou a trabalhar profissionalmente com Dança Contemporânea (estudou ballet dos 7 aos 20 e poucos anos). Esses três caminhos acabaram se interligando em sua vida e refletem muitos em seu trabalho e nas referências que busca: “Eu vejo a roupa entre essas infinitas possibilidades entre o corpo da gente e o mundo com o qual interagimos. Muito mais do que a tendência dita.” – conta Gabi.

21323Re-Roupa

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O que tem te influenciado nesse momento?

 “Falando em dança, eu admiro desde a primeira vez que vi, e assisto tudo, do Grupo Corpo que, pra mim, é quem consegue representar a beleza do Brasil em termos de movimento, figurino e escolha das trilhas sonoras. Em termos do que está rolando agora, tenho amado os últimos trabalhos do Sidi Larbi Cherkaoui.”

416-04_sete_ou_oitoGrupo Corpoeastman-iconGrupo Eastman, do diretor/coreógrafo Sidi Larbi Cherkaoui

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“Já que sem dança não tem música, lá vai! No meu Spotify rola desde sempre Itamar Assumpção, Curtis Mayfield, Caetano, Alcione (as mais dramáticas) e Gal, das antigas. A última coisa que baixei foi o recém lançado álbum Supersimetria, do NASCA, e pode ter certeza que não é só porque eu já venho dividindo a vida com ele há 7 anos (!), mas porque acompanhei todo o processo de pertinho e gostei demais do resultado. Principalmente da faixa 02, um “funk-baião” que tem a talentosa participação do Carlos Malta (que também admiro) e a 03, que descreve bem a situação da democracia (ou falta da mesma) no Brasil de hoje. E falando em letras de música que me marcaram ultimamente, cito, também, algumas do último do SIBA (De Baile Solto), outro que acertou na mosca a situação política do Brasil de uns tempos pra cá.”

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yb612189-2Siba

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“Falando de Moda, tenho amado demais o que vi ultimamente do Gosha Rubchinskiy e do Walé Oyéjidé, estilista da Ikiré Jones. Além do bom gosto (pro meu gosto), o que me toca é que você vê as fotos e tem vontade de saber mais da história do estilista, de onde a pessoa veio.”


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Gosha RubchinskiyIkiré Jones

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“E por falar em Moda e História, fecho com o filme Fresh Dressed, que já vi duas vezes e veria fácil, de novo. Vai muito além de contar a história do Hip-Hop, é um retrato claro do papel da Moda enquanto ferramenta de empoderamento, questionador do papel do consumo x pertencimento x cidadania, e por aí vai…. No fim das contas é o que busco com as questões que trago no meu trabalho.”

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NOSSOS INFLUENCIADORES 2018 | TEMPORADA DE CALOR | RAFAEL TEIXEIRA por Marina Giustino | Rio de Janeiro, 27.01.17

img_0341-07-11-16-07-52Rafael Teixeira, nosso Influenciador da Temporada de Calor – Foto da Karol Moraes

Um dos nossos temas da temporada de Verão 18 é o Duas Dimensões, que fala da fusão do skate com o surf com um pé na tecnologia e na realidade aumentada. Numa das nossas andanças de rotina pelo Instagram, procurando referências sobre skate, esbarramos com o perfil do Rafael Teixeira. Logo, de cara, adoramos o trabalho dele como fotógrafo. Não pensamos duas vezes: convidamos o Rafa pra ser um dos nossos Influenciadores da Temporada, pois ninguém melhor do que ele, como skatista e fotógrafo dessa turma, pra compartilhar com a gente insights e referências bacanas sobre o tema.

Perguntamos pro Rafa o que tem influenciado ele nesse momento. E, naturalmente, as respostas tem tudo a ver com o trabalho e estilo de vida dele. Dá só uma olhada!

5rafa1rafa1rafa2Fotos do Rafael Teixeira (@rafadapt_skt)

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O que está te influenciando nesse momento?

“Ando de skate desde 1999 e vivo o lifestyle desde então. Sendo assim, fica claro que minha principal influência para tudo é o skate e a rua, sempre. Através do skate, muitas portas para diferentes tipos de cultura e arte foram surgindo para mim. Algumas dessas portas despertaram meu interesse e resolvi trazer para minha vida, assim foi com a fotografia. Hoje, tenho muitas influências de fotografia de skate. Algumas influências são bem próximas e vivem meu cotidiano.

O fotógrafo Alex Carvalho, por exemplo, além de me influenciar, sempre me passa algumas experiências e conhecimento. Outras influências aqui do Brasil, na fotografia de skate, são os fotógrafos Ronaldo Land, Renato Custódio, Fernando Martins e o amigo Fernando Menezes Junior. Vale a pena acompanhar o trabalho desses cinco monstros, que não fotografam apenas a essência do skate, têm muitas outras coisas boas. O fotógrafo português Alex Pires também tem um trabalho muito bonito no skate, curto bastante.”

alex-carvalhoAlex Carvalho

ronaldo-landRonaldo Land

renatocustodio768Renato Custódio

alex-piresAlex Pires

“Outra fonte de busca que utilizo para novas influências, é o Instagram. Num desses rolés virtuais, conheci dois fotógrafos que possuem um trabalho muito inspirador pra mim. Eles se chamam Gabriel Bianchini e Fabricio Brambatti. Os dois possuem um trabalho parecido e se resume em fotografar a realidade, mesmo que dolorida. Nessa onda de redes sociais e informação de tudo que é lado, a realidade sempre me encanta. Acredito que a verdade sempre deve estar presente no nosso cotidiano, nos ajuda a manter os pés no chão e questionar o mundo ao nosso redor. Então esses dois são grandes influências para minha postura como pessoa e inspiração na fotografia de rua.”

gabriel-bianchini_u2a2013Gabriel Bianchini

“Voltando ao skate, sou eternamente grato por ter me proporcionado e ao que ainda vai me proporcionar. Sem dúvidas é a melhor influência que eu poderia ter na vida, não consigo enxergar de outra forma. Às vezes fico tentando imaginar como eu seria se não fosse o skate, é assustador… (hahahaha). Da mesma forma que a fotografia apareceu pra mim, os vídeos de skate junto com suas trilhas sonoras também agregaram. O punk rock/hard core sempre muito presente nas trilhas sonoras, trouxeram grande influência. Sinto que tenho uma certa atração com esse lance de imagem + trilha sonora. Trago comigo praticamente todas as trilhas sonoras dos filmes que gosto, principalmente quando se trata de Quentin Tarantino. Às vezes faço algumas edições de vídeo, tendo tudo isso como minha base.

Um dia desses vendo um vídeo de skate do William Strobeck, cara que também é uma grande influência quando se trata de edição e filmagem de skate, conheci uma banda de Black Metal norueguesa que se chama Burzum. É um projeto bem agressivo, com grandes questionamentos em relação a posição de igrejas/religiões. Assunto bastante delicado, mas que gosto de refletir. O responsável pelo projeto é o Varg Vikernes, alguém muito louco e muito lúcido ao mesmo tempo. Ah, minha família e minha namorada também estão sempre me influenciando.”

“Tyshawn flyin’ in style.”💪🏿@enwhytj

Um vídeo publicado por William Strobeck (@williamstrobeck) em

“Enfim, valorizo a essência e prezo pelo incômodo à sociedade. Talvez por isso, o skate tenha me atraído tanto. Tento buscar nas minhas influências algo que agregue não só no meu senso estético, mas também no meu modo de pensar e agir. Claro que nem sempre consigo, mas a ideia é essa.”

Se você ainda não leu as nossas entrevistas com a Luisa Mendes e a Ignez do Prado, clica aqui e aqui! ;)

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Nossos Influenciadores 2018 | Temporada de Calor | Ignez do Prado por Marina Giustino | Rio de Janeiro, 13.01.17

Na semana passada, iniciamos a nossa série de posts dos Influenciadores do Verão 18 com a Luisa Mendes. Hoje, a gente te apresenta a designer de estampas Ignez do Prado. A Ignez trabalhou por alguns anos com empresas da área, mas largou tudo pra viver um grande sonho. Como ela mesma diz: “algo que se vive ou se perde…” Junto com o namorado e cheia de planos, ela se mudou pra Austrália no ano passado. O bom de ser designer, é que se pode trabalhar de qualquer cantinho do mundo. De lá, ela toca seus freelas, através do seu próprio estúdio de estamparia, o Nextamp (ela também tem pintado uns vasinhos lindos). Recentemente, a Ignez criou uma conta no Instagram, o @Ausilians, onde dá pra sentir um pouquinho do clima da terrinha do Canguru. ;)

Um dos nossos temas da temporada é o Tropicamará, que fala sobre o potencial criativo e a efervescência cultural dos países atravessados pela linha do Trópico de Capricórnio. Em especial, das cidades do Rio, do Cabo e Sidney. Foi aí que a gente cruzou com a Ignez, que trouxe muitos insights bacanas pra gente sobre a Austrália. Estamos amando muito os artistas australianos da nova geração, com suas cores vibrantes e tropicalidade exuberante. De certa forma, há algo que une nós, brasileiros, a eles e aos nossos irmãos sul-africanos. O estilo de vida, o clima, a natureza, o borogodó…

image1Ignez do Prado

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O que e quem tem te influenciado aí na Austrália?

“Recém chegada, já tive a oportunidade de apreciar a arte da australiana Tamara Armstrong e me apaixonei pela série dela que se chama Bold Botanicals. No momento esta série está exposta em uma das lojinhas mais charmosas aqui da Gold Coast, a Dbar House, uma loja que pertence a um café/restaurante/bar que é delícia, o Dbar.”

15094282_1283058818413411_4024917951584061031_n14195396_1206876312698329_7247756673592664946_oA arte da Tamara Armtrong na concept store Dbar House

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“Outra artista/designer local aqui de Coolangatta, que me encantei muito pelo trabalho, é a Leah Bartholomew. Encontrei um painel e uns quadros dela em um cabeleireiro aqui da vizinhança o Maverick Hair & Art Space, que é voltado para Arte e Design.”

leah-tile-20151214132724-q75dx1920y-u1r1g0cPor aqui, a gente também é muuuito fã da Leah Bartholomew! <3maverick-hair-art-space2Maverick Hair & Art Space

 

“Em Byron Bay, uma das cidades que mais cresce e ferve, pude conhecer a banda de Sidney, The Beautiful Girls, além de, claro, ir pessoalmente na loja da Spell Byron Bay e viver a vibe incrível da cidade. Outras bandas australianas que conheci por aqui e curti: Ball Park Music e Hiatus Kaiyote.”

spell1O estilo boho-praiano da Spell é um verdadeiro sucesso!

Uma banda australiana de Soul? Sim! <3 É a Hiatus Kaiyote com sua sonoridade nada óbvia misturando Soul, Jazz e Funk de um jeito novo e surpreendente!

A Surf Music da banda Beautiful Girls

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“O lema aqui é No Worries, as duas palavras mais usadas pelos Australianos que esbanjam simpatia, educação, tranquilidade e felicidade. Em um país onde o esporte é atividade mais do que regular…É como beber água!”

noworries

.“Pra forrar o estômago, muitas feirinhas gastronômicas. Uma que gostei bastante é a Miami Marketta que é um mix de comida boa, gente estilosa e música. Esqueça preços horripilantes, aqui, a maioria das coisas é de graça.”

miami-markettaMiami Marketta

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.“A Austrália valoriza a cultura da troca e a do “no waste”. Existem dois dias na semana nos quais as pessoas colocam os móveis que não querem mais para fora de suas casas. Se você se interessar é só pegar, colocar no carro e levar pra casa que ele será seu. Caso ninguém se interessar, depois de algumas semanas o governo australiano se encarrega de tirar o móvel e levar para um depósito, o Recycle Centre, onde vendem a preços simbólicos. Outro lugar bacana para mobiliar sua casa e garimpar coisas usadas e com qualidade é o leilão de móveis, Loyds. É um galpão também com um monte de coisas desde barcos, carros antigos, motos, a móveis, utensílios de cozinha e eletrodomésticos. Lá você escolhe o que te interessou e todo domingo tem um leilão ao vivo na internet onde você participa, faz seu bid e leva (ou não) sua aposta. Além de ser uma proposta de mercado mais justa, é superdivertido!

A cultura de valorizar as coisas locais aqui já é 100% realidade e é levada super a sério, quando você vai procurar emprego, por exemplo, uma das primeiras coisas que te perguntam é: are you a local?. Isso quer dizer que eles estão querendo saber se você mora perto do seu local de trabalho. Sem contar a fauna e a flora, as praias, os campos, montanhas… Há pouco foi época de migração das baleias. Todos os dias podíamos ver as baleias pertinho da costa, dando seus saltos e brincando pelo caminho. Tem os golfinhos, também, que, literalmente, surfam as ondas junto com os surfistas.”

imagem1Surf em Coolangata, na Goldcoast australiana. Foto do @Ausilians.

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Deu vontade de fazer as malas e ir hoje mesmo pra Austrália? A gente também! <3

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