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Bureau + Fê Cortez: armário-cápsula | A cura pra doença do excesso por Fernanda Cortez - Menos Um Lixo | Rio de Janeiro, 10.08.17

…então a Fê Cortez me mandou um zap: “Lu, você não toparia escrever um artigo pro blog, sobre armário-cápsula?!” … respondi que sim, honrada. É uma experiência tão feliz que vale a pena passar adiante. Fui dar uma olhada nos arquivos do instagram do Mais Orgânica, pra confirmar a data do dia em que fiz a limpa no meu armário e aderi a essa ideia: 27 de abril de 2017. Opa! Estamos completando 3 meses… justamente o tempo para fazer a primeira revisão do guarda-roupa.

Olhando para trás e me observando na foto, saquei que eu estava apavorada demais com a quantidade de coisas que eu tinha, para conseguir enxergar o que realmente era essencial…. que só tempo mostra. E olha que eu jurava que não tinha tanta roupa…

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Portanto, se você  não tem mais aonde guardar tantas coisas, mas vive sem saber o que vestir, e realmente ta a fim de fazer uma limpa e aderir à ideia do menos é mais, respire fundo, encare o seu armário de frente, e bote absolutamente tudo para fora. Realize a limpeza de uma só vez! Tem que ser que nem arrancar esparadrapo… mas calma! Eu explico. Confia e vem comigo…

Um pouco da história

O armário-cápsula é um guarda roupas enxuto e versátil, com poucas peças, atemporais e de boa qualidade, que se combinam entre si, gerando múltiplos looks possíveis. A cada 3 meses, ou mudança de estacão, esse armário deve ser reavaliado e organizado… o que é bem mais fácil do que a etapa inicial. O armário-cápsula é, também parte, de um movimento maior que questiona a lógica fast fashion, assumida pela grande indústria da moda nas últimas décadas. É o chamado movimento slow fashion que, neste caso, flerta com o minimalismo.

O Minimalismo surgiu na década de 60 e vem ganhando novo impulso, desde o começo da última década, por conta da quebra da bolsa, em 2008. O mundo começou a se perguntar: pra que tanto?! Uma pergunta fundamental num momento de crise. Bem explicadinho e retratado no documentário Minimalism. Vale assistir pra dar uma inspirada!

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Em 2011, “Marie Kondo – A mágica da arrumação” , se tornou best seller, e posteriormente, junto com outras blogueiras como Caroline Joy Rector, do blog, Unfancy, popularizaram a ideia na rede, associando minimalismo, moda, consumo consciente e sustentabilidade. A tragédia na fábrica têxtil, no edifício Hannah Plaza, em Bangladesh, em 2013, fez o mundo prestar mais atenção em como são produzidas as roupas das grandes marcas de lojas de departamentos, e a lógica voraz e predatória do fast fashion. Um documentário que conta bem essa história, é o “The true cost”, (tem no Netflix e é fundamental!).

Mas a ideia do armário enxuto apareceu pela primeira vez com Donna Karan, em 1985, quando ela lançou seu guia com as peças essenciais: body preto, saia versátil, calça confortável, jaqueta de alfaiataria, suéter, camisa branca, um scarf (lenço fino e comprido) e aquele vestido pretinho básico.

Se você se identificou e ta a fim de embarcar nessa, disponibilize um tempo e leia as recomendações abaixo!

Regrinhas e dicas:

  • Existe um número ideal proposto: 37 peças, EM USO, por 3 meses, que podem ser substituídas por 2 ou 3 peças novas (criteriosamente escolhidas), a cada mudança de estação, ou conforme a necessidade.
  • Os itens incluídos entre essas 37 peças, são: tops (camiseta, regata e camisa), partes de baixo (saia, calça e short), casacos (jaquetas e sobretudos), vestidos e sapatos. Roupas de festas, uniformes, roupas de banho e de ginástica, além de acessórios e bolsas, não estão nesse numero, ok?! Mas vale lembrar que a lógica é a do ter menos.
  • Outra regra é a flexibilidade. Tudo depende do seu estilo e momento de vida, e quem manda é você. Ou seja: nada impede que você tenha mais ou menos peças do que o proposto, sobretudo em um país tropical como o nosso, que merece adaptações, por não existirem estações tão bem marcadas, quanto nos países de onde essa ideia veio.
  • Outra coisa importante é que o armário é organizado pra durar 3 meses. Você separa as peças que serão usadas para cada estação, e guarda as demais. Uma vantagem disso é um certo frescor que as velhas peças guardadas ganham, quando saem, para te acompanhar na nova temporada. No meu caso eu mantive as peças no armário, mesmo… sabe como é, no Rio de Janeiro nunca se sabe… a qualquer momento o maçarico pode ligar, bem no meio do inverno.
  • Essa regrinha dos 3 meses é legal pra fazer uma avaliação, sobre o que, e como você usa, ou não, suas roupas… fase em que estou agora. É hora de eliminar o que não rolou, pensar com cautela o que está faltando, e comprar com critério, responsabilidade e sem impulsos… mas saboreando meu poder de consumidora. Yeah!

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  • Uma paleta de cores também deve ser estipulada para facilitar a seleção das peças que vão ficar. Geralmente sao neutras… mas nada impede que você acrescente suas cores favoritas e até mesmo, estampas. Listras são queridinhas nos armários minimalistas, por motivos óbvios: são elegantes e atemporais.
  • Ah! Vale lembrar: você nunca deve jogar tudo fora para começar o armário do zero. Acredite: tudo que você precisa, ou a maior parte, já está no seu armário… você só precisa abrir espaço para enxergar o potencial de combinação das peças que você já tem.
  • O Minimalismo não é uma dieta de roupas ou uma lipoaspiração de armário. O exercício de se desfazer e organizar é parte da tomada de consciência e reflexão, e é o que vai garantir a cura para eventuais compradores compulsivos e apegados. A ideia não é comprar mais. Lembre-se sempre disso.
  • Haja o que houver não experimente as peças durante a separação. Isso além de fazer tudo ficar mais demorado, vai fazer ficar mais difícil também, pois algumas peças podem trazer memórias, emoções e fazerem você querer guardar alguma delas pra quando emagrecer. Esqueça isso. Pense em 3 meses.
  • Outra sugestão importante é fazer tudo bem longe dos olhos da sua família. Parentes podem dificultar o desapego, por conta de memórias, roupas compartilhadas, presentes, histórias, ou simplesmente por não estarem vivendo a mesma inquietação que você. Eles podem começar a julgar, se meter e achar tudo uma doideira… e é aí que entra outro detalhe belo, desse estilo de vida: é um exercício de você com você mesmo. Você precisa se ouvir, sinceramente. Outras pessoa atrapalham… ah! Também não vale mandar as peças pra passar férias em algum “depósito” familiar.

 

Vamos ao que interessa…

Por onde começar? …pela manhã. Certamente essa tarefa vai render horas, e para fazer do jeito certo, tem que começar e terminar, no mesmo dia. Como eu disse no começo… tem que ser de uma vez só.

Coloque absolutamente tudo o que tem no seu armário, e espalhado pelo resto da casa (roupas pra lavar e passar), em cima da cama ou no chão. Ver tudo o que você tem, junto, é fundamental para te dar o choque de realidade necessário pra continuar. Pode ser meio desesperador… mas confie no processo.

Separe as suas roupas em 3 pilhas: o que SAI; o que eu AMO; e o que eu NÃO SEI. Apenas olhe bem pra peça e se pergunte: isso me faz feliz?! Essa pergunta geralmente se responde rápido… Você sente.

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  • O que SAI – que você não usa mesmo, que não cabe mais, que não representa seu estilo atual, ou momento de vida, e o que não serve pra ninguém. Essa pilha de roupas deve ser re-dividida, em 3 categorias, depois que tudo já estiver selecionado, organizado e guardado,: aquilo que dá pra vender, em bazares e brechós, o que você quer doar, e o que é descarte. Para essas duas últimas categorias, procure instituições de caridade, ou cooperativas de costura, que reaproveitam tecidos. Sempre pergunte se a instituição ou o grupo, deseja receber a doação, do contrário,  você estará apenas jogando seu lixo no outro, achando que tá fazendo caridade. Só que não. Com a grana que você conseguir vendendo as peças, você deve guardar para comprar o que você realmente vai precisar. Mesmo que você consiga uma boa quantia, tenha um valor fixo, em mente, pra gastar com roupas a cada 3 meses. Nem mais nem menos. Pra não correr o risco de você comprar o que não precisa só porque tem dinheiro. Faça outros planos pra ele, longe do seu armário.
  • O que eu AMO –  Mantenha em mente a regra das 37 peças, mas não perca a flexibilidade de vista. Essa pilha também será triada de acordo com a paleta de cores que você selecionou. Fique apenas com as peças cujas cores e estampas funcionam bem juntas. Se ficar em dúvida coloque na pilha do NÃO SEI. Observe bem o que fica, e separe o que precisa de costura, tingimento, limpeza ou reparos. Faça o que e preciso, logo, ou procure alguém que possa te ajudar.
  • O que eu NÃO SEI – Ao final da separação do que fica e o que vai, essa pilha pode ficar mais fácil. Por isso deixe ela pro final. Se já houver muita coisa que você AMA, você vai se desapegar mais fácil. Caso você ainda tenha dúvidas a respeito de algumas peças, experimente-as. Se couberem, use a estratégia de guardá-las até a próxima estação, para ter noção se fazem falta ou não, ou até mesmo pra você viver o prazer do reencontro com algo que você gosta. Armários compartilhados também podem ajudar a desapegar e reavaliar.

Esse detox dá trabalho, pode ser doloroso, em alguns momentos, mas no final você sente uma sensação de liberdade e leveza indescritíveis. Dificilmente você voltará a acumular roupas que não usa, e vai se pegar fazendo combinações que nunca imaginou…. e depois de 3 meses, é só reavaliar se você usou tudo o que amava, guardar o que não vai usar na estação, e finalmente, comprar as peças que você tem certeza que precisa, mesmo que você pague mais caro. Compre coisas boas …e nesse caso, procure brechós, bazares, trocas, ou prestigie marcas nacionais comprometidas com a sustentabilidade, comércio justo e respeito aos animais e leis trabalhistas. Um bom site pra continuar se aprofundando no assunto é o Modifica. Tem boas dicas, informações e recomendações de marcas. Boa sorte e divirta-se!

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{Este post é produzido e compartilhado com *Fernanda Cortez e Luiza Sarmento | Menos Um Lixo.}

*Fernanda Cortez é comunicadora, sócia da 220 Ideias Transformadoras e cabeça por trás do Menos 1 Lixo, movimento e plataforma de consumo consciente que chama atenção das pessoas sobre o volume de lixo que produzem no dia a dia, focando na mudança de pequenos hábitos diários, como a substituição dos descartáveis pelos reutilizáveis.

*Luiza Sarmento é influenciadora digital do canal Mais Orgânica, é jornalista, designer em sustentabilidade e assina a coluna de sustentabilidade do programa sai do ar, na Rádio Globo.

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Bureau + Fernanda Cortez: Desafio 1 Look Por Uma Semana por Fernanda Cortez - Menos Um Lixo | Rio de Janeiro, 20.07.17

O Menos 1 Lixo nasceu para estimular mudanças de comportamentos individuais por um mundo mais limpo, próspero e sustentável. E consumir de maneira consciente, para gerar menos lixo, é uma das ações fundamentais para a construção desse mundo. Quem consome menos, descarta menos.

Por isso, a gente achou o máximo quando viu um projeto que a Lilian Pacce idealizou e colocou em prática na mesma hora. Um desafio de consumo consciente, com a tarefa de usar #1lookporumasemana. Por 6 dias, a Lilian usou o mesmo look. E o resultado? Fora a conclusão de que repetir o look não machuca e nem tira pedaço – palavras da Lilian :) – ela foi muito além: falou sobre a necessidade de consumir melhor, para a roupa durar mais; usar mais vezes a mesma peça para criar mais intimidade com a roupa, entre outras reflexões. (Quem quiser ver o vídeo com a experiência completa, é só clicar aqui).

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Quando você compra uma peça de roupa, você realmente pensa se ela vai durar muito tempo no seu guarda-roupa? E se você vai poder usar muitas vezes, e em muitas ocasiões? O crescimento do fast fashion mostra que muita gente não pensa assim! Os consumidores compram o dobro de peças do que compravam há 30 anos e a segunda indústria mais poluente do planeta fabrica mais de 150 bilhões de peças por ano. Peças que, em média, são usadas 7 vezes antes do descarte.

Para chamar atenção para isso, e para fazer um exercício de reflexão mais ativo, a Fe Cortez topou entrar no desafio da Lilian e convidou um monte de gente pra começar, junto com ela, no dia 24 de julho! Tem gente de várias cidades, várias idades, várias profissões. Tem gente preocupada se o look vai durar no calor do Rio, tem gente preocupada para não escolher errado e passar frio em Porto Alegre.

Karin Dreyer é produtora cultural e adepta do estilo de vida Desperdício Zero, onde se busca uma rotina com o mínimo de descartes e produção de lixo possíveis. Em seu blog – Por Favor Menos Lixo – e redes sociais, divide com os leitores suas escolhas para o dia-a-dia dentro e fora de casa, desmistificando a ideia de que práticas sustentáveis sejam difíceis. E o que a Karin tem a falar sobre o desafio #1lookporumasemana ? “Com esse desafio gostaria de estimular o questionamento e as reflexões que eu mesma me fiz alguns anos atrás: afinal, se eu possuo tanta roupa, por que volta e meia olho para o meu armário e sinto que não tenho nada para vestir?  Essa pergunta me fez entender que, mesmo gostando muito das minhas roupas, no fundo eu não dava tanto valor a elas, pois eram facilmente substituídas por uma nova peça bonita que eu comprava. Assim o ato de comprar não era mais um prazer e sim uma necessidade que, não realizada, levava à frustração. Repetir roupa é valorizar aquilo que temos, ser consciente e ter autonomia de escolha. Além de dar bem menos trabalho no dia a dia, gastar menos dinheiro e ainda ajudar o meio ambiente.”

A Rhaisa Batista, atriz, e ex-modelo, sempre achou uma bobagem esse conceito de não repetir roupa. “Até porque temos máquina de lavar pra isso, né? Esse desafio é como reinventar essas roupas, porque a gente que vem da moda tem alguns conceitos de look e de combinações de peças pré definidas, então é se libertar um pouco disso e pensar mais no bem comum. E ao mesmo tempo, conseguir ficar feliz com o figurino em diversas ocasiões. A expectativa é como reinventar esses looks, como compor quando um dia chove, no outro faz sol. Como fazer? To animada!”

Ju Nasciuti, idealizadora e apresentadora do “Programa Muda”, onde conta histórias de pessoas que estão mudando o mundo pra melhor, está tão curiosa, quanto apreensiva. “Não sou uma pessoa muito consumista e meu armário não é grande. No entanto, passar 5 dias com apenas uma produção será um desafio de desapego e consciência de que sempre podemos viver com menos.”

Para a Vanessa Huguinin, publicitária especialista em food branding, que vive um entra-e-sai de restaurantes e cozinhas com o dia-a-dia da Foodsevai ser um desafio e tanto. Ela não para nunca!

Patrícia Japiassú, facilitadora da Healing Hands Escola de Ser e de Reiki , aposta que “É no contraste que se dá a consciência. E assim vale para todos os movimentos de nossa jornada. Do olho do observador ao look a ser observado! Acredito que exercitar este desafio será mais um portal de leveza do SER.”

Se você também quer entrar neste desafio de contraste e consciência, basta postar os seus looks usando as hashtags #1lookporumasemana, #menos1lixo, #dicasdaFeCortez

As regras são:

  • Escolher as peças de roupas que vão compor o look principal para usar a partir da próxima segunda-feira, dia 24 de julho.
  • Postar diariamente e não esquecer de colocar as hashtags (pra gente poder achar vocês!).
  • É permitido variar sapatos, acessórios e casacos.
  • Para completar o desafio, a semana pode ser considerada a semana de trabalho, ou seja, 5 dias.
  • Quem conseguir esticar pra 6, 7 dias ganha uma estrelinha. :)  Mas 5 dias já está valendo

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{Este post é produzido e compartilhado com *Fernanda Cortez | Menos Um Lixo.}

*Fernanda Cortez é comunicadora, sócia da 220 Ideias Transformadoras e cabeça por trás do Menos 1 Lixo, movimento e plataforma de consumo consciente que chama atenção das pessoas sobre o volume de lixo que produzem no dia a dia, focando na mudança de pequenos hábitos diários, como a substituição dos descartáveis pelos reutilizáveis.

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Bureau + Fernanda Cortez: Comprar roupa é legal né? Será mesmo? por Fernanda Cortez - Menos Um Lixo | Rio de Janeiro, 28.06.17

Pra quem ainda não sabe, eu, Fê Cortez, apresento desde abril um reality show sobre consumo no Discovery Home & Health, o Menos é Demais. Nele, a cada episódio, eu analiso o consumo de uma família diferente, e o que pode ser feito pra que essa família consuma de uma forma mais consciente. São muitos motivos pra consumir de forma mais consciente, mas resumindo em um tweet, na velocidade que consumimos estamos colocando a sobrevivência da nossa espécie em risco. A gente falou aqui que no ano passado atingimos o dia do cheque especial do planeta (aquele dia em que o planeta sozinho não consegue mais regenerar seus recursos usados) em 13 de agosto, e a cada ano, esse dia acontece mais cedo.

Voltando ao Menos é Demais, semana passada a família em questão eram duas irmãs, a Erika e a Camila, que são donas de uma marca de moda, a Gloss. As meninas são fofas, queridas, e juntas têm mais de 150 mil seguidores nas redes sociais. Elas são consideradas digital influencers, são influenciadoras digitais de… moda. E o armário delas deu o que falar nas minhas redes sociais. Muita gente questionando se aquilo era “normal” e refletindo sobre quem seguir, sobre os valores por trás das blogueiras, ou no novo nome da moda, influenciadoras digitais. E como elas, existem milhares de influenciadoras que postam o dia inteiro fotos de looks, tendências, roupas que você tem que ter, porque se não tiver, aí… você não é tão legal assim né.

Peraí, é?

Por que a gente acreditou nessa historinha criada pela moda que pra sermos aceitos precisamos consumir com uma velocidade sobrenatural todas, absolutamente todas as tendências de moda que rolam por aí. Sim, porque se você não consumir, o que será de você? Como é que a gente deixou os valores serem tão invertidos assim, que na verdade você vale pelo que você tem e não pelo que você é. Pelo que você posta, e não pelo que você faz, pelo que você aparenta, e não pela sua índole, pelo seu caráter, pela forma como você se relaciona com as pessoas, com o planeta.

Aí é que vem a questão: como é que pode ser cool e bacana uma pessoa comprar sem limites, roupas e mais roupas, gadgets, acessórios sem fim, que no final das contas destroem o planeta em diversos níveis?

A parte da história que a moda não contou é que ninguém paga esse custo, o ambiental. Na verdade o sócio ambiental. Então, vamos a uma rápida explicação aqui: a moda é a segunda indústria mais poluente do mundo! Sim, você leu direito, a segunda indústria mais poluente do mundo! E 3,2% de toda água disponível no mundo é usado no setor têxtil. Sendo que 20% de todas as águas poluídas no mundo, estão assim por causa da indústria têxtil. Isso sem falar no trabalho escravo (leia mais aqui nessa matéria da Reserva). E esse é só o começo da história. A moda, o fast fashion, cria, reitera, vive do conceito de obsolescência programada, da criação de tendências de moda que já nascem com prazo de validade. Numa estação, o cool é calça skinny, na outra é calça flare. E se você não tiver uma calça flare…

E se você não tiver uma calça flare? Qual é o real problema?

A gente achou uma matéria super legal que a Naturalissima fez, com 4 documentários que mostram o que as etiquetas das roupas não mostram, todos os impactos sociais e ambientais que a indústria do fast fashion causa na vida de muitas pessoas. Pra ler a matéria completa, clica aqui.

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The True Cost

Esse é imperdível, se eu tivesse que recomendar um sobre moda, assistam The True Cost!

Lançado em 2015, o documentário analisa e discute os impactos negativos da indústria têxtil no planeta, com a ótica do ambiental e do social, já que ele foi feito logo após o desabamento de uma fábrica em Bangladesh que matou mais de 1000 pessoas e deixou mais de 2500 feridas. Para quem está começando nesse universo da moda sustentável, essa é uma ótima pedida para conhecer mais sobre esse universo.

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Traceable

Esse documentário lançado em 2014, além de criticar o consumismo estimulado pelo fast-fashion, também mostra as condições de trabalho em que as nossas roupas  são confeccionadas.

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Unravel

Filmado entre 2009 e 2011, mostra o que acontece com parte das roupas que são doadas para programas de caridade ao redor do mundo  e enviadas para centros de reciclagem na cidade de Panipat, na Índia.

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The Story of Stuff

Esse aqui é um filminho curto que explica como a gente pensa a nossa cadeia produtiva hoje, de forma linear: a gente extrai, beneficia e…lixo. Tem maneiras muito mais inteligentes de se produzir, pensando em uma economia circular, e esse doc fala sobre isso. Ele não foca na indústria da moda, porém, nos mostra como o processo produtivo das indústria precisa ser repensado urgentemente, desde a extração até o momento do descarte.


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Você já conhecia esses documentários? Conhece algum outro? Conta para gente o que você achou! ;)

E assiste o Menos é Demais, toda quinta feira, 20:30 no Discovery Home & Health. São dois episódios na sequência, e reprisa sábados 22:15.

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{Este post é produzido e compartilhado com *Fernanda Cortez | Menos Um Lixo.}

*Fernanda Cortez é comunicadora, sócia da 220 Ideias Transformadoras e cabeça por trás do Menos 1 Lixo, movimento e plataforma de consumo consciente que chama atenção das pessoas sobre o volume de lixo que produzem no dia a dia, focando na mudança de pequenos hábitos diários, como a substituição dos descartáveis pelos reutilizáveis.

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