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Passei os últimos 4 meses imersa em Menos é Demais. Pra gravar esse programa, lindo que com muita honra eu apresento, foram 4 meses, 5 dias por semana, 12 horas por dia. Conheci 13 famílias e suas questões de consumo. Consumo por excesso de grana, consumo por falta de informação, consumo por questões emocionais, consumo, porque não consumir, né?

E no final das contas a gente consome da hora que acorda (lavar o rosto e escovar os dentes envolve consumo de água, de pasta de dente, de escova de dente, de sabão), até a hora que a gente vai dormir (cama, lençol, cobertor, ar condicionado, energia, pijama, e por aí vai). Roupa então… pensa nas ocasiões de uso, nas festas, na praia, na academia, tá frio, tá quente, tá sol, choveu, e, tá na moda?

Então vamos falar de moda? Ou vamos falar de roupa?

A indústria da moda, que faz as nossas roupas, em um dado momento pós segunda guerra mundial, quando os Estados Unidos cunharam esse american way of life baseado no consumo que o mundo todo copiou (pra quem ainda não viu, esse vídeo da Box 1824, Lowsumerism, é imperdível) começa a criar coleções. Coleções que no começo evoluíam devagar, tínhamos tendências muito baseadas em décadas – quem lembra anos 80 e os cabelos enrolados, ombreiras? O fast fashion, que vem depois, no fim dos anos 90, acelera esse conceito de coleção e de estar na moda, e cria nos consumidores, nós, o desejo de sempre ter o novo, consumir com avidez pra estar na moda. Sim, porque estar na moda é fundamental né? Ou como serei aceito se não tiver o look do dia certo? E a gente compra roupa para… impressionar os outros e ser aceito.

Só que o que eles não contam é que:  “Segundo a Forbes, o setor de vestuário é responsável por 10% das emissões de carbono e permanece como segundo maior poluidor, seguido pelo petróleo. Aproximadamente 70 milhões de barris de petróleo são usados a cada ano para produzir poliéster, que hoje é a fibra mais utilizada em roupas e cuja decomposição leva em torno de 200 anos. Peças de fast fashion, que são usadas menos de 5 vezes e mantidas por aproximadamente 35 dias, produzem cerca de 400% a mais da emissão de carbono por unidade anualmente do que peças utilizadas 50 vezes e usadas por um ano inteiro.”, Wikipedia.

Então aquele programa preferido de muita gente que é ir ao shopping comprar, se torna contribuir para a poluição do planeta em níveis que a gente nem imagina.

Mas será que a gente quer comprar ou a gente quer ter acesso a roupas?

Imagina se a gente pudesse ter um guarda roupa com muitas opções, gastando muito pouco e sem esse peso na consciência de olhar uma peça que foi usada menos de 5 vezes (ou nunca foi usada) no nosso armário e pensar que ela vai ficar pelo menos 200 anos em um lixão, e que quase com certeza teve trabalho escravo envolvido na sua produção. A gente pode!

Nova economia, novos modelos, e o armário compartilhado é um deles.

Funciona assim: basicamente você paga uma mensalidade e tem acesso a várias roupas. De acordo com a sua mensalidade, você tem direito de pegar X peças/mês, usar e depois é só devolver. Alguns deles, como o Lucid Bag, que tem aqui na MALHA, no Rio, são construídos com as próprias roupas das clientes, que deixam parte do seu guarda roupa lá pra que as peças que elas têm em casa também possam ser usadas por outras pessoas.

O Roupateca, que a Chiara levou a Helô no último episódio de Menos é Demais, também funciona assim, mas lá em São Paulo.

As mensalidades são a partir de R$100,00, e a decisão de compartilhar a roupa acaba sendo também um ato político, uma forma de expressar como você vê a vida e age no mundo.

No site da Lucid Bag, eles definem bem isso: “O modelo foi pensado também para pessoas que fazem do que vestem um ato político: apoiam causas, marcas e iniciativas que se preocupam com a sociedade, comunidade local, sustentabilidade e meio ambiente.”

E você, já pensou em compartilhar mais e ter menos? Conta pra gente!

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{Este post é produzido e compartilhado com *Fernanda Cortez | Menos Um Lixo.}

*Fernanda Cortez é comunicadora, sócia da 220 Ideias Transformadoras e cabeça por trás do Menos 1 Lixo, movimento e plataforma de consumo consciente que chama atenção das pessoas sobre o volume de lixo que produzem no dia a dia, focando na mudança de pequenos hábitos diários, como a substituição dos descartáveis pelos reutilizáveis.

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