1-eXFCQajI3keqdk9wpFx_aA

Você com certeza já ouviu o termo por aí. Mas o que isso significa, exatamente? E como lidar com essa nova postura de pessoas que se colocam no mesmo patamar de importância da sua marca? Como aceitar que eles também criam cultura? Veja bem, nada está perdido. Os digital influencers são uma evolução natural da nossa sociedade. E eles vieram para somar.

Já foi a época em que um formador de opinião era peça rara. Em um passado não muito distante, os influenciadores eram “poucos e bons” – e muitos deles sugeridos pelo cinema ou pela TV, quase como uma ditadura. Com o avanço da tecnologia e da internet – e com o acesso à informação – qualquer indivíduo “comum” tem potencial de se tornar um formador de opinião, ou uma “celebridade”. Hoje, quem melhor define o sucesso de um grande formador de opinião não é mais a mídia, mas sim o público.

A era da comunicação digital nos tornou iguais diante de muitas possibilidades da internet, mas ao mesmo tempo, enfatizou as diferenças, dando espaço para todo o tipo de cultura, filosofia ou opinião, unindo grupos de pessoas que pensam de forma parecida, ou têm paixões em comum. Usuários não são números, são pessoas únicas, com gostos e preferências particulares. E elas não cabem mais numa definição simples ou numa fórmula resumida. O mundo está muito plural para isso.

Mas o que faz uma pessoa virar um fenômeno? Há quem diga que é uma combinação de carisma, autenticidade e conteúdo criado com paixão. E claro, estar na rede social certa, no timming certo. Mas ainda é cedo pra ter uma resposta concreta. Nosso único erro é pensar que hoje existem muito mais “gênios”, quando na verdade, pessoas criativas e inovadoras sempre existiram. A diferença é que as plataformas de comunicação se multiplicaram. E há lugar pra todo mundo.

De empreendedor para empreendedor

É preciso encarar o assunto com maturidade e já não funciona mais uma simples troca de favores entre marcas e influencers. Porque a verdade é que a sua marca precisa deles tanto quanto eles precisam das marcas que admiram. Jovens criadores e empreendedores têm investido em seu conteúdo desde antes de saberem o quão relevantes se tornariam. Muitos deles batalharam por anos e hoje não querem ser meros parceiros ou trocar seu trabalho por presentes. Eles já sabem que o que construíram tem valor. E encaram isso como uma profissão.

É claro que ser um formador de opinião e produtor de conteúdo requer seriedade e comprometimento, como qualquer outro trabalho. Porém, da mesma forma que aconteceu com o hype da “profissão blogueira”, hoje em dia há quem se intitule influencer sem realmente ter a consistência necessária, ou produzir de fato um conteúdo original. Existe também muita gente comprando seguidor, ou se vendendo a troco de nada. Pior: há quem não pense na responsabilidade que tem ao se comunicar com seu público. Aqui vale citar o caso polêmico de Gabriela Pugliesi, que incentivou suas seguidoras a mandarem nudes para as amigas. De acordo com a própria, foi “apenas uma brincadeira”. Mas considerando que Pugliesi é seguida por muitas meninas menores de idade, a brincadeira não foi lá tão bem aceita, causando revolta na web.

Deslizes à parte, aqueles que realmente se propõem a levar seu poder de influência como profissão são transparentes e profissionais. Os que querem apenas a “fama pela fama” acabam sendo motivo de piada, como no vídeo “Pagamento”, produzido pelo Porta dos Fundos:

Visão: o digital influencer ideal para sua marca

É possível distinguir quem faz um trabalho bacana fazendo uma pesquisa, observando o comportamento nas redes sociais, ou simplesmente requisitando um mídia kit. Sim, muitos dos digital influencers já possuem um mídia kit que contém valores que vão de vídeos produzidos especialmente para o YouTube, até apenas uma menção da sua marca em um post. E não se engane: os influencers são exigentes e nem sempre aceitam fazer negócio com marcas com as quais não se identificam — o que ao meu ver, é uma postura bastante coerente. Mas há exceções.

Tudo depende de suas prioridades como marca. Se o intuito é aparecer momentaneamente e aumentar rapidamente seu número de seguidores sem tanto planejamento estratégico, talvez uma tag em uma publicação da mais nova febre internética, que não tem lá muitas restrições, como a maranhense ThaynaraOG, seja o bastante. Mas se a sua marca continuará colhendo frutos a longo prazo, só o tempo vai dizer. Afinal, com a mesma rapidez que uma nova moda da internet estoura, ela pode desaparecer. É um risco que se corre. Seguidores instantâneos e fervorosos podem desistir da sua marca da mesma forma que cansaram da última celebridade da web, caso ela pare de se reinventar (no caso de Thaynara, a divertida snapchatter também é esperta e já estuda a possibilidade de criar um canal no YouTube).

As redes sociais se multiplicam a cada dia. O foco não está mais no facebook ou nem mesmo no Instagram. É preciso abrir o leque, identificar onde está o seu público. Vale também se perguntar: “quem o meu público está seguindo?” É lá onde sua marca tem que estar, caminhando lado a lado com esses formadores de opinião. O caso de amor entre Jout Jout e Netflix é um ótimo exemplo de uma ação bem-sucedida.

Também já se foi o tempo de torcer o nariz para o Snapchat. Como esse post super bacana do you pix alertou, o Snapchat é a nova TV. De acordo com as estatísticas do Expanded Ramblings, o app possui 100 milhões de usuários ativos por dia – a maioria deles formada pelos millennials, claro!

Você não vai saber qual digital influencer combina mais com a sua marca se não souber por onde andam, o que fazem, qual sua rede “carro-chefe” e sua especialidade quando o assunto é conteúdo. Números ainda importam, é claro, mas não são mais prioridade.

Citando algumas influencers brasileiras, considerando apenas as áreas de moda e design, podemos dar alguns exemplos: se o seu público é mais alternativo e engajado em causas feministas e curte um “papo cabeça”, você pode pensar numa ação com as meninas do GWSmag (12,6k). Mas se o seu público ama pílulas diárias de inspirações, dicas de arte, lugares cool, decoração e tutoriais DIY, vale conhecer os perfis da carioca Vanessa Mello(18,3k) ou das irmãs catarinenses do divertido Tudo Orna (137k). Quer investir em blogueiras grandes? O Brasil tem de Camila Coutinho à Taciele Alcolea e, apesar de ambas terem mais de um milhão de seguidores no Instagram, elas não falam sempre para o mesmo público. Enquanto Camila é mais voltada para o mundo fashion e suas seguidoras são jovens mulheres, Taci (como é carinhosamente chamada por suas fãs) é mais teen — e mesmo marcando presença em todas as redes, seu principal meio de comunicação com suas seguidoras é um canal no YouTube.

Note que os números de seguidores das meninas acima são diferentes. Porém, isso não as faz menos ou mais influenciadoras. Uma ação pensada com criatividade e estratégia, com influencers que sejam ideais pra sua marca, pode ser muito bem-sucedida independente do número de seguidores.

Como disse Amber Venz Box, fundadora do pioneiro rewardStyle:

“Branding is the exercise. Engaging is the most important.”

Unindo forças

No vídeo em que conta sua trajetória até chegar na criação da inovadora ferramenta Like to Know it (que envia para o email de seguidoras os links dos produtos presentes numa foto que curtiram no Instagram) Amber Venz Box enfatiza que “monetizar conteúdo é sobreviver”. Essa foi a proposta que fez anos atrás, ao criar o rewardStyle, para blogueiras que tinham grande influência na escolha de consumo de suas leitoras, mas ganhavam apenas presentes e mimos das marcas que ajudavam a divulgar. No sistema implantado por Amber e sua equipe, todo mundo sai ganhando: influencers, marcas e o próprio site, que funciona como se fosse uma agência, intermediando o processo. A prática hoje se tornou comum no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

De acordo com Amber, você não precisa mais estar em grandes metrópoles. Há conteúdo de qualidade sendo produzido e marcas incríveis marcando presença também em pequenas cidades. E com foco, estratégia e investimento, tanto criadores de conteúdo quanto marcas podem encontrar o seu lugar — e se encontrar no meio desse caminho. Afinal, a única coisa que se sabe até então é que, para sobreviver, marcas e influencers precisam se unir de forma criativa, mantendo a consistência, a qualidade e o amor naquilo que produzem.

Invista em um projeto inovador. Agregue valor, mas enxergue valor também. Respeite e trabalhe em equipe com um criador de conteúdo, ao invés de alimentar uma postura de superioridade. Seja aberto para o novo. Todo dia algo se transforma e cabe a sua marca ser ousada o bastante para sair da zona de desconforto e experimentar.

{Este post é produzido e compartilhado com *absolem}

*absolem é um coletivo carioca focado em branding, criação de conteúdo e comunicação. Nossa principal busca é a Energia da Marca.

logo menos tendencia para posts blog