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3 coisas que você precisa saber essa semana por | Rio de Janeiro, 19.09.17

1 – A “Netflix” brasileira gratuita e colaborativa:
Você precisa conhecer a Libreflix. O nome já diz tudo. Trata-se de uma plataforma de streaming aberta e colaborativa que reúne ótimas produções audiovisuais independentes, de livre exibição e que fazem pensar. No nosso último Encontro, a gente falou da M2M, que é voltada pra quem curte Moda, com desfiles, filmes e documentários gratuitos sobre o assunto, lembra?

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.2 – E por falar em Sétima Arte:
O Brasil vai receber pela primeira vez o FFF – Fashion Film Festival, festival mundial de filmes de Moda que acontece em Londres, Milão e Berlim. Por aqui, a categoria ainda está engatinhando, pois são pouquíssimas as marcas que investem neste tipo de linguagem. E o Festival chega aqui justamente com o objetivo de fomentar o desenvolvimento dos filmes de Moda brasileiros. Serão 5 categorias a serem julgadas por um júri especializado: Filmes do Autor, Marcas, Têxteis Técnicos, Estudante e Internacional. A premiação acontece no dia 25/09, na UNIBES Cultural, em São Paulo, como parte da 1ª Semana Brasileira de Moda, organizada pelo IBModa.

Filme da neomarca brasileira D-Aura, que concorre na categoria Filme de Marca

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3 – Os 500 nomes mais influentes da Moda, segundo o The Business of Fashion:
Há cinco anos, o The Business of Fashion publica uma lista anual com os 500 nomes mais influentes da Indústria da Moda global. Estilistas, editores, CEOs, modelos… Este ano, o Brasil aparece em 13º lugar no ranking, com nove brasileiros nomeados. São eles: Alexandre Birman, da Arezzo; a blogger Camila Coutinho; Carlos Jereissati Filho, do Grupo Iguatemi; Daniela Falcão, da Globo Condé Nast; Flavio Rocha, do Grupo Guararapes; o diretor artístico Giovanni Bianco; a jornalista Maria Prata; Natalie Klein, da NK e a designer Paula Cademartori. Os EUA aparecem em primeiro lugar, seguidos pelo Reino Unido, França, Itália e China. Clica aqui pra ver a lista completa.

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Bureau + aLagarta: “Luz dobrada em afetos” | O olhar de Helena Cooper por | Rio de Janeiro, 15.09.17

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Quem acompanha a fotógrafa Helena Cooper no Instagram, além de se deparar com imagens tocantes, mágicas e etéreas, pode ler no topo de seu perfil a descrição: “Luz dobrada em afetos”. De fato, o trabalho de Cooper traduz de forma muito sensível o que muitas vezes a gente apenas sente, sem conseguir definir ou expressar em palavras ou gestos. Suas fotos nos transportam para um momento de entrega, quando paramos para respirar fundo olhando para o céu, seja em contato com o silêncio no alto de uma montanha, ou cercados de árvores em uma trilha.
Convidamos a artista para ser colaboradora da edição PLENITUDE, que foi ao ar em agosto e, agora, damos voz à quem nos conquistou com o olhar, para descobrir o que inspira e move essa bióloga que se encantou primeiramente pela fotografia documental, pra depois criar asas e voar.
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Oi, Helena! Conta um pouco sobre você?
“Sou nascida no Rio, mas passei parte da infância em Mury, Friburgo, onde pude ter muito contato com a natureza desde cedo e onde parte do meu imaginário onírico foi criado. Brincava sozinha ou com meu irmão mais novo no enorme terreno que tínhamos, e nossa imaginação ali não tinha limites. Meus pais sempre gostaram muito de viajar pelo Brasil, praias e parques, e por isso também a intimidade com o “mato”. Formei em 2014 em Biologia na UFRJ e desde o início do curso trabalhei com a linha da etnobiologia, que busca identificar e valorizar as relações das comunidades tradicionais com os elementos e recursos naturais. Nessas pesquisas, conheci muitas comunidades quilombolas e indígenas, que fortaleceram ainda mais meus vínculos, rumos e valores de vida.”
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Quando você se descobriu artista?
“Meu avô paterno sempre gostou muito de fotografia e talvez ele tenha sido uma das primeiras inspirações para eu começar a fotografar. Ganhei dele uma câmera analógica automática em 2004 e, por sempre ter sido uma pessoa nostálgica, comecei a registrar as lembranças bonitas que eu vivia.”
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E como a fotografia, especificamente, entrou na sua vida?
“Fiz uma viagem de campo de dois meses para uma aldeia Kuikuro no Alto Xingu em 2014 com o antropólogo e cineasta Carlos Fausto – que era meu orientador de projeto na época. Ambos estavam com suas câmeras fotográficas e essa experiência de registrar os trabalhos do dia a dia dos indígenas e ainda documentar tantas belezas me enchia de vida e inspiração. Logo que formei na Biologia, decidi dar um tempo nas pesquisas propriamente biológicas e abrir mais espaço para entender esse gosto tão grande por registrar as camadas de belezas e lembranças que passavam por meus olhos. Nesse momento, conheci o fotógrafo Ricardo Azoury que, em algumas trocas bastante afetivas e familiares com ele e sua companheira Juliana, tive a oportunidade de aprender a fotografar com um pouco mais de técnica. Decidi ir para Buenos Aires em 2015 estudar fotografia, mas meu caminho se desviou quando encontrei a Tucum Brasil, empresa que trabalha com diversas etnias indígenas, e comecei a trabalhar com eles fotografando seus produtos e expedições às aldeias indígenas. O amor pelas matrizes e comunidades tradicionais nunca me deixou ir embora do Brasil.”
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Quais são suas principais fontes de inspiração? E referências?
“Minhas inspirações são confusas (risos). Sonho todas as noites e às vezes fotografo sonhos. Gosto muito de ler sobre psicologia e às vezes fotografo algo associado a alguma leitura. Sempre fui mística (à minha maneira) e acredito muito no que os olhos não vêem.”

“Parece contraditório valorizar tanto o invisível e trabalhar com fotografia. Mas minhas inspirações passam mesmo por ai: sentimentos, cheiros, memórias…”

“Gosto muito de ver o trabalho de outros fotógrafos, embora não acredite que esses trabalhos referenciem a construção da minha fotografia em si. Mas tenho algumas pessoas que me são referência enquanto seres viventes, isto é, mais do que apenas produzir belas e técnicas imagens, trabalham de forma linda, com base em muita ética, cuidado e responsabilidade social. Este é o caso do João Ripper, fotógrafo a que tenho muita admiração.”
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Como você descreveria seu trabalho?
“Acredito permear uma mistura de fotografia documental, com fotografia do bem-querer, com fotografia devocional. Uma vez ouvi que Deus habita o espaço entre os seres. Nunca mais esqueci isso e passei a acreditar que poderia ver e mostrar para os outros, através da fotografia, a beleza desse espaço.”
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Tem alguma causa específica que te toca?
“É difícil uma causa não me tocar hoje em dia. Acredito em um mundo de confiança mútua, construção coletiva, respeito e valorização das diferenças – e devoção à natureza. Ultimamente, tem sido difícil (muitas vezes, desesperançoso) viver aqui no Brasil, onde tudo que acredito vem sendo desprezado e cedendo lugar para um sistema competitivo e altamente destrutivo. As questões ambientais e a luta das comunidades tradicionais, especialmente indígenas, vêem tomando muito minhas preocupações nos últimos dias. Entretanto, acredito que todas as questões estão super interligadas e o desrespeito às causas é mais um sintoma de um sistema competitivo, misógeno e desconectado com suas essências.”
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Quais os planos para o futuro como criativa?
“Para o futuro, tenho desejos de me reaproximar mais uma vez das comunidades tradicionais e familiares agrícolas, para também firmar e fortalecer suas lutas e tradições culturais e dar voz através dos registros visuais. E há cerca de um ano venho desenvolvendo um projeto colaborativo com pessoas que confiaram e entregaram histórias e vivências pessoais fortes, chamado “Ensaios Terapêuticos”. Esses ensaios são momentos de contato com a natureza, guiados por conversas e práticas de respiração que buscam florescer as belezas que trazemos dentro de nós.”

“Pretendo continuar e aprofundar essa pesquisa de autoaceitação e empoderamento que a imagem de si próprio pode gerar. Afinal, beleza cura.”

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Confira “Nós, em laços”, editorial produzido por Helena exclusivamente para a ediçção #22 PLENITUDE, aqui.

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{Este post é produzido e compartilhado com *aLagarta}

*A aLagarta é a primeira emag feminina independente e colaborativa do Brasil. Uma eterna mutante, tem vida própria e vira borboleta toda vez que lança uma nova edição.

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BUREAU + FÊ CORTEZ: Lixo no Céu | 5.2 Milhões de toneladas de lixo por ano por | Rio de Janeiro, 14.09.17

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Na missão do #Menos1LixonaEstrada, a Fe Cortez fez o possível para evitar gerar lixo nos aeroportos e nos aviões. Levou o kit de viagem lixo zero, que inclui: marmita, garrafa térmica, copinho, talheres e canudinho reutilizáveis. Mais: caprichou nas receitas para as marmitas que a Alana Rox, do Diário de uma Vegana, publicou lá no stories do instagram do Menos 1 Lixo (em breve, vamos publicar o video completo e receitas no site – fiquem ligados!)

Mas o vôo entre São Paulo e Doha era muito, mas muito longo. Tão longo que acabou a comida da marmita e a Fe teve que fazer uma refeição de avião. Foi aí que puxou papo com uma das comissárias sobre o destino do lixo, e a resposta foi a seguinte: não existe separação de lixo, vai tudo para o mesmo lugar “porque não tem espaço para separar”.

Isso nos motivou a pesquisar sobre o assunto. E não é que a afirmação da comissária parece ser verdade para a maioria das companhias aéreas?

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O artigo “A rídicula história da comida do avião e porque tanto lixo vai parar nos aterros”, publicado pelo The Guardian no dia 1 de abril de 2017 aponta um número alarmante de 2016: 5.2 milhões de toneladas de lixo  foram geradas nas aeronaves.

E para onde foram? Aterros ou em locais para incineração. Esses dados são da International Air Transport Association (IATA), e a previsão é que o número dobre nos próximos 15 anos. Estão incluídos nesta soma o papel higiênico dos banheiros, as garrafas em miniatura de vinho da primeira classe, as sobras das marmitas, as marmitas que não são abertas e as escovas de dentes que ninguém usou – entre outras pequenas embalagens e pequenos itens típicos de viagem de avião.

As refeições nos aviões são a maior fonte geradora de lixo. Algumas companhias aéreas empreenderam esforços para a separação e destino do lixo gerado em suas aeronaves, como a TAM e a Alaskan Airlines, por exemplo.

Em outras pontas de responsabilidade com o lixo: temos a Iberia, que trabalha em um programa de experimentação para reduzir as embalagens; e a United Airlines, que adotou copos compostáveis de papel no ano passado, e a prática de doar os kits com itens de higiene, não utilizados, para pessoas em situação de risco social. Outra iniciativa bacana é da Quantas, que utiliza um envelope que, normalmente, seria empregado para receber doações para a caridade, para embalar os fones de ouvidos que são entregues durante o vôo.

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Agora, falando sobre os fones de ouvido, que acabam tendo a vida de útil de apenas 1 vôo, a única iniciativa de reciclagem que tivemos conhecimento foi a da Virgin: que recicla todas as partes dos fones de ouvido (inclusive a espuminha, que tem como destino o chão que pavimenta centros equestres).

O foco dos programas, além de maneiras de pensar em como reduzir as embalagens e destinar o lixo, também explora o emprego de talheres reutilizáveis e o uso de informações sobre os passageiros. Por exemplo: saber antecipadamente a preferência da refeição de um passageiro significa reduzir a quantidade de refeições desperdiçadas em um determinado vôo.

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Mesmo assim, por mais que as companhias aéreas ensaiem uma movimentação que está longe de ser o suficiente para reverter as projeções, ainda existe um longo caminho para percorrer.

Reverter esse quadro, como sempre, depende muito de nós e do poder do nosso bolso. Para não contribuir com esses números absurdos de geração de lixo dentro das aeronaves, que tal buscar conhecimento sobre a postura das empresas áreas que escolhemos? Que tal cobrar ações e resultados? E a regra dos Rs vale para quem viaja no céu também: antes de aceitar o fone de ouvido ou aquela bandeja de comida que você não está muito a fim, que tal repensar, reduzir, recusar?

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